Destaque de projeto social de PE, jovem ala ganha vaga em time de SP

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Após ganhar bolsa de estudos por seu desempenho no basquete, Stefanny, 16 anos,
foi chamada para jogar no Santo André; Jogadora foca em sonho de chegar à seleção

Por Malu VeigaRecife

Stefanny da Silva, 16 anos, é filha de mãe solteira. Vive de forma simples, em um quarto e sala situado num beco da comunidade do Beraldo, entre os bairros do Prado e da Madalena. A história dela, entende a mãe, Fabiana da Silva, poderia terminar igual a tantas de outras jovens na mesma condição. A zeladora perdeu as contas de quantas meninas já viu engravidarem na adolescência ou se entregarem às drogas. A vida de Stefanny segue um caminho diferente: graças ao basquete, presente de um projeto social, conseguiu bolsa de estudos em um colégio particular do Recife. Quando se achava que não poderia ficar melhor, a ala alçou voos e se tornou destaque nacional na sua faixa de idade, conseguindo uma vaga no clube paulista Santo André. A viagem já tem data marcada: no dia 22 de fevereiro ela embarca para o salto mais largo que deu – estar no epicentro do basquete do País, disputando o Campeonato Paulista.
Eu treinei e treinei muito para chegar onde estou. Levo pra vida que não importa o que as pessoas falam. Se você acredita, persista.
Steffany da Silva

O esporte provou ser uma ferramenta forte de inclusão e transformação social. E, com a determinação da jovem, um fator extra para o sucesso. O basquete entrou na vida de Stefanny há cinco anos, com o projeto Nosso Clube Social, que ensina a modalidade de forma gratuita para adolescentes entre 12 e 17 anos. As meninas que se sobressaem ganham bolsa de estudos de 100% em escolas particulares parceiras do projeto. Ter experiência de bola está longe de ser um requisito. Apesar de ser um destaque hoje, nos primeiros dois anos não enchia os olhos dos especialistas.

- Demorei muito para evoluir, foram anos para saber o que era uma bandeja – brinca a atleta.

O treinador Mário Ramires – o “manauara mais recifense que existe”, como ele se autodenomina – acredita que três pilares determinam a escolha das meninas.

- Elas têm que se basear em três regrinhas: estar estudando é a primeira. Se elas reprovam, perdem a bolsa e saem do projeto. Depois, comportamento tranquilo dentro e fora de quadra para o bem da coletividade. E, por último, interesse e bom desempenho no basquete.

Stefanny, de 16 anos, tem o sonho de jogar na Seleção Brasileira (Foto: Malu Veiga/Globo Esporte.com)

Ster, como é apelidada pelas colegas, começou a jogar bem quando passou a trabalhar dentro e fora de quadra. No clube, só treinava uma vez por semana – aos sábados -, o que não seria suficiente para brilhar.

- Passei a treinar em casa também. Comecei a escrever meus objetivos na vida. Acordava e ia fazer flexões e abdominais para um condicionamento físico melhor. Mário nunca me dava chances dentro de quadra e eu falei: “Poxa, Mário, sou tão ruim assim que você nunca me escolhe?” Foi quando ele me deixou jogar e finalmente saí do banco.

Graças ao basquete, a Stefanny passeou pelo Brasil com as viagens para várias competições disputadas: Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Alagoas, Natal e Minas Gerais foram alguns dos destinos visitados. Em território mineiro, levou o troféu de melhor ala do Campeonato Brasileiro Sub-17.

Stefanny mora com a mãe Fabiana (Foto: Malu Veiga/Globo Esporte.com)

- Nas nossas condições ela nem sonharia em visitar esses lugares. Quem deu esse presente a ela foi o basquete e a dedicação em ir bem. No começo eu chorava de saudade até quando ela ia para o interior (de Pernambuco). Hoje, adoro quando ela viaja e conhece tudo. A gente vende rifa, algumas meninas também fazem brigadeiro e assim a gente consegue (pagar os custos) – revela a mãe, Fabiana da Silva.

A grande parte dos custos é financiada pelo projeto, que conta com trabalho de voluntários há dez anos. A ideia é que, no futuro, as jogadoras retornem ao clube e multipliquem o aprendizado, num ciclo solidário sem fim. Quem ganha a bolsa, treina três vezes por semana na instituição de ensino e duas no próprio clube.

A oportunidade para jogar no Santo André-SP não caiu do céu. Foi em um Campeonato Brasileiro disputado em Poços de Caldas, Minas Gerais, que a jovem caiu nos olhos da técnica da Seleção Brasileira Feminina, Anne de Freitas Sabatini.

Meu sonho é ir para a seleção brasileira. Aqui em Pernambuco que menina já foi? Há quantos anos? Isso é muito raro.
Steffany da Silva

- Ela (Sabatini) veio conversar comigo e isso fez com que ela entrasse no radar de outros treinadores. Várias equipes de São Paulo conversaram comigo para saber quem era a Ster. Ela vai estar no centro do basquete brasileiro, jogando contra as melhores. Vai ter uma chance de evoluir – afirma Mário, que vê na atleta a melhor da categoria sub-17 de Pernambuco.

Já a jovem é tomada por empolgação e muito foco no seu objetivo principal: chegar à seleção brasileira.

- Meu sonho é ir para a seleção brasileira. Aqui em Pernambuco que menina já foi? Há quantos anos? Isso é muito raro. Esse ano lá no Santo André eu tenho muita chance de chegar lá e vou agarrar com unhas e dentes. Eu moro aqui numa comunidade. Meu sonho também é melhorar minhas condições de vida. Eu penso logo em comprar uma casa para a minha mãe – afirma, esperançosa, Ster;

Nos dias atuais, a jogadora – que não é lá das mais altas com seus 1,68 m de altura – projeta-se no basquete nacional. Conhecendo sua origem, determinação e foco a levaram para a posição em que se encontra hoje.

- Muita gente falava que eu não ia chegar. Nem eu mesma esperava coisas tão grandes.  Eu treinei e treinei muito para chegar aonde estou. Levo pra vida que não importa o que as pessoas falam. Se você acredita, persista.

Em Minas Gerais, jovem foi eleita a melhor ala do Campeonato Brasileiro sub-17 (Foto: Divulgação)
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